Os graves problemas de atendimento na rede básica de saúde, em especial nos postos onde atuam funcionários da Fundação de Amparo ao Ensino e Pesquisa (Faep) ocuparam a maior parte da sessão ordinária desta quarta-feira (03/02/2010) da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes. Os vereadores denunciaram as dificuldades vivenciadas pelos cidadãos que necessitam do atendimento e pretendem cobrar uma ação imediata da Prefeitura. O tema deve ser apresentado nesta quinta-feira (04/02/2010) ao secretário municipal de Saúde, Paulo Villas Bôas de Carvalho, que comparecerá à Câmara para uma audiência pública sobre o setor. A reunião está marcada para as 10 horas.
“A situação dos postos de saúde onde a Faep atua é preocupante. Todos os dias os vereadores recebem em seus gabinetes diversas pessoas que não conseguem ser atendidas e nenhuma atitude é tomada”, destacou o presidente Mauro Araújo (PSDB), que solicitou à Comissão Permanente de Saúde um relatório sobre o caso para a próxima sessão: “O período de discurso já terminou, precisamos de ações concretas. Há tempos temos denunciado estes problemas e esta casa não pode ser conivente com a situação dos postos”.
O presidente da Comissão de Saúde, Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho (PSB), realizou nesta quarta uma vista à unidade do Programa Saúde da Família do Cocuera e constatou pessoalmente problemas como a falta de médicos: “Em dezembro eles ficaram sem médico e desde o último dia 29 voltaram a ficar sem profissionais. Vamos visitar outras unidades de saúde para verificar quais os problemas”.
O vereador Rubens Benedito Fernandes, o Bibo (PR), que também integra a Comissão de Saúde, destacou que a cidade não pode ficar à mercê dos problemas da Faep, que já anunciou não ter interesse em renovar o contrato com o município: “Precisamos que a Prefeitura exerça seu papel de fiscalização, pois a cada dia recebemos mais reclamações por parte da população. E quando vencer o contrato? Como ficará o atendimento nas unidades 24 horas?”
Na avaliação do vereador Nabil Nahi Safiti (DEM), o ideal é que o contrato com a Faep seja rescindido imediatamente e que o município contrate outra empresa em regime emergencial: “Assim como foi feito com a Mito, que não estava cumprindo seu contrato, a Prefeitura tem que substituir a Faep por uma entidade que atenda a população corretamente. Não podemos nem mesmo culpar os médicos e funcionários, pois a fundação não está repassando o salário deles”.
Carlos Evaristo (DEM) avaliou que a Câmara pode instaurar uma comissão especial para verificar o caso: “Temos acompanhado esta novela e toda a má vontade da Faep há bastante tempo. Não podemos permitir que a população fique à mercê desta gente que nunca passou dificuldades nem tem compromisso com nossa cidade. Precisamos de uma postura rápida e firme da Prefeitura”.
Além da questão dos postos, os vereadores questionaram a situação da Santa Casa de Mogi, que enviou um relatório financeiro à Câmara: “Precisamos de informações concretas para questionar a administração do hospital. Aquilo parece um poço sem fundo, sempre em crise e precisando de mais e mais dinheiro público. Parece que são incapazes ou não querem resolver os problemas”, afirmou Nabil.